Em “Mulher Inteira”, escritora aborda memória, corpo, amor e reconstrução
“Hoje, sou casa, não ruína.” O verso de Ludmila Singa abre caminho para Mulher Inteira, livro de poemas que a escritora, atriz e slammer baiana lança neste sábado, 10, às 18h, na Livraria Terra Libris, no Cinema Glauber Rocha, em Salvador. Publicada pela Solisluna Editora, a obra já está em pré-venda.
Os poemas atravessam temas como infância, sexualidade, amor, luto, ancestralidade e autonomia. Parte dos textos surgiu durante o processo de análise vivido pela autora; outros estavam guardados desde 2018, sem terem sido apresentados nos saraus e festivais literários que fazem parte de sua trajetória.
“Mulher Inteira começa a nascer enquanto eu estava em processo de análise, de autoconhecimento, pois entendi que havia questões profundas nas memórias da minha infância e adolescência que eu não conseguia acessar sozinha”, conta Ludmila.
Dividido em quatro movimentos, o livro acompanha um percurso de reconstrução e descoberta. A experiência da autora, que há cerca de dez anos circula pela poesia falada e integra o Slam das Minas Bahia, também aparece na linguagem dos poemas, marcada pela oralidade e pela expressão de vivências pessoais.
No prefácio, a poeta Bell Puã destaca como esses relatos encontram outras mulheres negras. “Mulher Inteira me alvejou na exata mira do coração, ao lembrar que o versar de uma mulher negra potente é um pedaço da poesia que vive em todas nós”, escreve.
Com ilustrações de Raiana Britto e projeto gráfico de Sofia Canário, Mulher Inteira foi contemplado pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia.
Foto: Daniel Cerqueira
