Em parceria com o Portal Diáspora, fotógrafo moçambicano registra histórias, costumes e saberes de pessoas mais velhas para aproximá-los das novas gerações
O fotógrafo moçambicano Alex Nhare retoma um projeto que começou a desenvolver há alguns anos e que agora ganha novos registros em parceria com o Portal Diáspora. Intitulado “África Não Se Apaga”, o projeto parte de entrevistas com pessoas mais velhas para preservar memórias, costumes e conhecimentos que correm o risco de desaparecer com o passar das gerações.
Correspondente do Portal Diáspora em Moçambique, Alex entende a fotografia e o registro documental como ferramentas de preservação cultural. A proposta é ouvir os mais velhos sobre suas infâncias, a forma como viviam, os costumes que faziam parte do cotidiano e que hoje já não são praticados da mesma maneira, além das transformações sociais que acompanharam suas vidas. As entrevistas também abrem espaço para que eles compartilhem histórias, conselhos, provérbios e aquilo que gostariam de deixar como legado para os mais jovens.
“Meu trabalho chama-se memória e cultura porque estou preservando os arquivos dos mais velhos. Tem histórias que a gente não sabe e que eles gostariam de contar, de deixar. Depois de algum tempo eles não vão existir mais, e as novas gerações precisam saber disso”, afirma Alex.



Natural de Manhiça e atualmente vivendo em Maputo, Alex Nhare tem 23 anos e constrói seu trabalho entre o documental, o retrato e a fotografia artística. Começou a fotografar em 2022, inicialmente com amigos e utilizando o celular, até perceber na imagem uma possibilidade de construir narrativas sobre território, identidade e cultura. Em 2025, realizou sua primeira exposição, “Inter Diáspora”, no Instituto Guimarães Rosa, em Maputo, reunindo artistas moçambicanos e brasileiros.
A primeira etapa do projeto será dedicada às conversas com os mais velhos e ao registro fotográfico dessas pessoas. A partir desse material, a proposta é criar conteúdos em vídeo e fotografia que possam circular pelas redes sociais, aproximando diferentes gerações e levando essas histórias para além dos lugares onde foram contadas. Os registros poderão reunir as falas em línguas locais, português e inglês, acompanhadas de informações que contextualizem os costumes e conhecimentos compartilhados.
Para Alex, preservar essas histórias também significa mudar a maneira como a sociedade olha para os seus mais velhos. “Em vez de esquecer os nossos mais velhos, precisamos valorizar o que eles têm para contar. Eles são uma ponte entre o que fomos e aquilo que as novas gerações vão conhecer”, explica.
“África Não Se Apaga” nasce, assim, do encontro entre fotografia, memória e escuta. Um arquivo construído a partir dos próprios protagonistas da história, antes que determinadas vozes, práticas e lembranças deixem de existir.
Fotos: Alex Nhare
