Dirigido por Kaya Rodrigues, filme gaúcho aborda ancestralidade, Alzheimer e identidade negra em mostra internacional de cinema feito por mulheres.
O curta-metragem brasileiro “Zila”, estreia solo da diretora e roteirista Kaya Rodrigues, realiza sua première mundial na mostra competitiva do Mujeres Film Festival, que começou na segunda-feira, 11 e segue até 26 de maio, na cidade de Circasia, na região andina da Colômbia.
A produção gaúcha acompanha Zila, personagem interpretada por Silvia Duarte, uma senhora negra que vive sozinha, cercada por memórias e pela espera da visita de familiares. A chegada da neta Ana, vivida por Cristal, evidencia o abismo geracional da relação e impulsiona a personagem a realizar um ritual africano de esquecimento.
Realizado na Colômbia, o Mujeres Film Festival se consolida como espaço de encontro, reconhecimento e circulação de obras dirigidas por mulheres de diferentes partes do mundo.

“No ano em que soube que minha avó estava com Alzheimer eu passei por um processo de negação”, relembra Kaya Rodrigues. “Em parte por desconhecimento do que a doença realmente significava, mas também porque era doloroso demais aceitar que eu estaria perdendo as formas de relação construídas com alguém que eu amava tanto, porque a falta de memória significava que, em algum momento, ela esqueceria de mim também”, complementa.
Escrito a partir de uma mitologia bantu-moçambicana, o roteiro entrelaça o processo de perda de memória da personagem com um ritual ancestral em torno de uma árvore. A narrativa também mergulha nas relações entre avó e neta, atravessadas por afeto, conflito e identidade, enquanto alterna memórias da infância de Zila e imagens rurais que revelam as mãos negras presentes no trabalho do campo.


Filmado em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, “Zila” marca a estreia de Kaya Rodrigues na direção solo. Multiartista, produtora e arte-educadora, a realizadora destaca a importância simbólica de integrar uma mostra dedicada ao cinema feito por mulheres.
“Sou uma mulher negra no sul do Brasil, em um espaço em que a negritude muitas vezes é invisível, onde somente no primeiro semestre deste ano já foram registrados 26 casos de feminicídio”, aponta. “Portanto, estar em um festival construído por mulheres que lutam por um cinema mais equânime é de um valor, pra mim, inestimável”.
“Zila” foi financiado pela Lei Paulo Gustavo de Porto Alegre e marca o primeiro lançamento da produtora Filmes de Água Doce, em coprodução com a Verte Filmes, recentemente premiada no Festival BAFICI, na Argentina, pelo longa “Banho Maria”.
“Zila” (2026), de Kaya Rodrigues
Curta-metragem | Brasil | Duração: 19 minutos
Sinopse: Saudade é a tônica da vida de Zila, uma senhora negra, que vive sozinha, abraçada em suas memórias, enquanto aguarda a visita de algum ente querido. No entanto, a chegada de sua neta, Ana, e o evidente abismo geracional dessa relação, torna-se um impulsionador para que Zila decida fazer um ritual africano de esquecimento.
Ficha Técnica:
Roteiro e Direção: Kaya Rodrigues
Produção: Gabriel Faccini
Elenco: Silvia Duarte, Cristal, Álvaro Rosacosta, Cássio Nascimento, Gabriel Faryas, Giselle Rocha, Bruno Kauer e Isadora Gabrielli
Direção de Fotografia: Eduardo Rosa
Direção de Arte: Bruna Giuliatti e Richard Tavares
Técnico de Som direto Fábio Baltar
Direção de Produção: Tamara Mancuso
1ª Assistência de Direção: Carolina Silvestrin
2ª Assistência de Direção: Fernanda Reis
Montagem: Joana Bernardes, edt.
Trilha Original: Renan Franzen
Acessibilidade: Néftali Filmes
Distribuição em Festivais: Fernanda Etzberger
Arte Gráfica: Vit Lisboa
Pós-produção de Imagem: Machina Filmes
Supervisão de Pós-produção de Imagem: Rafael Duarte
Correção de Cor: Rafael Duarte
Pós-produção de Som: KF Studios
Desenho de Som: Kiko Ferraz e Ricardo Costa
Produção Executiva: Ânderson Fragozo e Gabriel Faccini
Foto: Tom Peres
