Amanda Julieta lança “Monstruosa” no MUNCAB, em Salvador

A escritora baiana Amanda Julieta lançou, no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador, o livro de contos Monstruosa, obra que subverte estigmas históricos associados a corpos dissidentes e afirma o amor entre mulheres como força política, ética e vital. O encontro contou com a distribuição gratuita de 100 exemplares e uma leitura pública de trechos do livro realizada por artistas da palavra e atrizes, entre elas as poetas Bruna Silva e Louise Queiroz, com mediação da professora de Letras Fernanda Miranda, da UFBA.

Com uma escrita que transita entre a prosa poética, o fluxo de consciência e a narrativa fragmentada, Monstruosa constrói um mosaico de histórias atravessadas por violência estrutural, cuidado, desejo, luto e reinvenção. As personagens, mulheres negras, lésbicas ou bissexuais, vivem experiências que oscilam entre o íntimo e o coletivo, revelando estratégias de sobrevivência em um mundo marcado pelo racismo, pela lesbofobia, pela violência policial e pela precarização da vida.

Ao longo dos contos, diferentes perspectivas se entrelaçam. Entre elas, a trajetória de uma adolescente do subúrbio de Salvador que descobre a própria sexualidade, a rotina de uma mulher que enfrenta obstáculos cotidianos para chegar em casa e surpreender a companheira, um casal tentando compreender seus afetos em meio às incertezas do amor e as memórias de um relacionamento revisitadas por meio de uma carta.

Monstruosa propõe deslocar a forma como mulheres que amam outras mulheres foram historicamente representadas na sociedade. “O que há de monstruoso em uma mulher que só quer chegar em casa em segurança e jantar com a companheira e o filho na noite de Natal? Elas não são monstros destruidores da família tradicional, mas mulheres que decidiram viver suas vidas de acordo com os seus próprios termos”, afirma Amanda Julieta.

Publicado pela editora ParaLeLo13S, da livraria Boto-cor-de-rosa, o livro conta com texto de orelha assinado pela escritora Natália Borges Polesso. A obra também deve ganhar um novo lançamento ainda neste mês de março, com distribuição gratuita de exemplares em local a ser confirmado.

Os contos não seguem uma linearidade narrativa tradicional. A fragmentação aparece como escolha estética e política, refletindo modos de existência marcados por rupturas, silêncios e recomposições. “Os contos dialogam menos por continuidade narrativa e mais por ressonância. Foram pensados como partes de um mesmo corpo. Cada história ilumina a outra e convida o leitor a construir vínculos entre as narrativas”, destaca a autora.

Fotos: Ana Reis

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