Rapper de Salvador, ela lançou um álbum que cruza astrologia, mitologia e sonoridades diversas em um manifesto de identidade e pista.
Aos 25 anos, a rapper soteropolitana Evylinconsolida um novo capítulo na própria trajetória com “Vênus em Áries”, seu primeiro álbum de carreira. Inserida em um cenário contemporâneo que mistura pop-rap, música eletrônica e referências regionais, a artista apresenta um trabalho que nasce de pesquisa, experimentação e afirmação estética. O disco chega após anos de construção e reflete um amadurecimento que atravessa som, imagem e discurso.
Com forte presença na cena LGBTQIA+ e na produção negra independente, Evylin articula no álbum temas como desejo, autonomia e relações afetivas, conectando astrologia e mitologia grega a experiências pessoais. A figura de Vênus, atravessada pela intensidade de Áries, estrutura uma narrativa que alterna vulnerabilidade e força, criando um universo que dialoga tanto com a pista quanto com a introspecção.
Musicalmente, o projeto percorre gêneros como dancehall, trap, house e detroit, incorporando também samples de músicas baianas. Essa mistura revela uma artista que se move entre referências globais e locais, sem abrir mão de uma identidade marcada pela diversidade sonora. As colaborações ampliam esse campo, aproximando diferentes territórios e vozes dentro de uma mesma proposta estética.
“Costumo dizer que minha identidade sonora é ser diversa e eclética, então o álbum foi só a reafirmação disso“, Evylin
Neste papo, Evylin comenta o processo de criação do álbum, suas referências conceituais e a construção de uma narrativa que atravessa música e performance. A entrevista revela também camadas mais íntimas do trabalho, incluindo vulnerabilidade, autoestima e o papel político do afeto em sua produção.
Confira na íntegra a entrevista que Evylin, a cantora e artista, concedeu exclusivamente ao portal:
Depois de cinco anos desde “Sacode”, o que mudou na Evylin artista e pessoa até chegar em “Vênus em Áries”? Esse álbum representa mais um recomeço ou uma afirmação de quem você sempre foi?
“Acho que o meu primeiro álbum é mais uma afirmação do que vim trabalhando no decorrer desses anos enquanto artista, foram 5 anos de estudo e pesquisa do que eu poderia trazer e que pudesse representar bem a minha personalidade.”
“Vênus em Áries” mistura astrologia e mitologia grega para falar de desejo, poder e protagonismo. Em que momento você entendeu que esse conceito seria o eixo do disco?
“A questão da astrologia partiu da minha necessidade por autoconhecimento, nos “porquês” que o mapa astral oferece eu encontrei uma identificação simultânea com o planeta Vênus, que fala sobre a maneira que sentimos e entregamos o amor, com essa analogia eu encontro sentido com a mitologia que contradiz os opostos que Vênus e Ares são, contando uma história de desejo entre ambos.”
A imagem de Vênus atravessada pelo fogo de Áries traz intensidade e impulso. Como essa dualidade entre amor e combustão aparece na sua forma de compor e performar?
“Na impulsividade do sentir é quando eu me movimento no instante para compor, e essa movimentação tem tudo a ver com performance e expressão pois parte de algo verdadeiro que vem de dentro de mim.”
“Olhos de Peixe” abre o disco com uma presença muito magnética. O que essa faixa diz sobre o universo que você queria apresentar logo de início?
“É literalmente o começo dessa história que tem seu início marcado por ressentimento.”
Em “On Point”, sua parceria com Majur soa muito natural e potente. Como a relação de vocês fora da música influenciou a construção dessa faixa?
“A minha amizade com a Majur nos deu essa música de presente de forma muito especial, numa ida à academia tivemos a ideia de compor e trabalhar nesse som juntas falando sobre as coisas que amamos.”
“Perfect 10’s” traz uma energia de pista muito forte, com Carlos do Complexo e Dione. Como foi criar essa faixa que dialoga com o ballroom e com diferentes territórios do Brasil?
“Estamos vivendo um momento de ascensão da comunidade ballroom aqui no Brasil, então pra mim colocar numa musica referência do house e música eletrônica como Carlos do Complexo e uma pessoa ativa como Comentator e Chanter na ballroom, como DIONE, foi a minha maneira de prestar homenagem e respeito à uma cultura que vem ganhando espaço em cada pedacinho desse mundo.”
Créditos: Edgar Azevedo
O interlúdio “Voice Memo” traz uma reflexão mais íntima e direta. Por que foi importante inserir esse momento mais cru dentro de um álbum tão sensorial?
“Eu quis mostrar a vulnerabilidade por trás da sensação de autodefesa, quis que as pessoas me vissem sem as máscaras, e nada mais íntimo e sincero que um áudio pra sua amiga, né? “
Em “Negro Freaky”, você provoca com estética e linguagem. O que significa, para você, afirmar essa identidade “freaky” dentro da cultura negra e da música?
“Em Nego Freaky, eu criei esse personagem que é “louco” por mim, e faz de tudo por mim. Essa música provoca um toque para as mulheres se proporem a entender o que de fato elas merecem, e esse personagem, fictício, representa a imagética do ideal, ou pelo menos suficiente para mulheres incríveis.”
“Malandrinhas”, com Urias, carrega um sample de Edson Gomes e ao mesmo tempo uma energia contemporânea. Como foi conectar esse legado do reggae baiano com o seu universo pop-rap?
“A produção assinada por Raonir Braz enriqueceu minhas ideias de maneira incrível, eu levei pro estúdio a ideia de samplearmos Edson Gomes num beat bem 90’s e chegamos a esse resultado.”
Você constrói um trabalho que dialoga diretamente com a cena LGBTQIA+ e com a representatividade negra. De que forma “Vênus em Áries” também funciona como um manifesto político e afetivo dentro desse lugar?
“Vênus em Áries” é um manifesto que fala de autoestima e superação de relações que custam a nossa sanidade mental, as relações afetivas que colocam nossos valores em questão. É um grito para toda mulher, toda gay, toda pessoa que já sentiu que precisava se desprender das amarras para finalmente ser livre e feliz. É o boost para treino, que te faz pensar, dançar e virar a página.”
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