Autora baiana apresenta obra com leitura dramática e distribuição gratuita no Dois de Julho
A escritora baiana Amanda Julieta apresenta, no dia 27 de março, às 18h30, o livro recém-lançado “Monstruosa”, em evento com leituras dramáticas na Casa Preta, localizada no bairro do Dois de Julho, em Salvador. A obra subverte estigmas históricos lançados sobre corpos dissidentes e afirma o amor entre mulheres como força política, ética e vital.
Durante a programação, a autora fará a distribuição gratuita de 100 exemplares. O encontro contará ainda com a participação da multiartista lésbica Larissa Lacerda, convidada para realizar a leitura dramática de trechos do livro. O microfone também será aberto para que outras mulheres presentes possam compartilhar leituras da obra.


“Monstruosa” conta com orelha assinada pela escritora Natalia Borges Polesso e é publicado pela ParaLeLo13S, editora da livraria Boto-cor-de-rosa.
Com uma escrita que transita entre a prosa poética, o fluxo de consciência e a narrativa fragmentada, o livro constrói um mosaico de histórias atravessadas por violência estrutural, cuidado, desejo, luto e reinvenção. As personagens, majoritariamente mulheres negras, lésbicas ou bissexuais, revelam estratégias de sobrevivência em um mundo marcado pelo racismo, pela lesbofobia, pela violência policial e pela precarização da vida.
A obra apresenta diferentes protagonistas e situações, como uma adolescente no subúrbio de Salvador que descobre sua sexualidade, uma mulher que enfrenta desafios cotidianos para chegar em casa e presentear a companheira, um casal que tenta compreender seus sentimentos no cotidiano e as tensões do amor, além de memórias de um relacionamento que se transformam em carta.
A fragmentação de “Monstruosa” surge como escolha estética e política, espelhando modos de existir marcados por rupturas, silêncios e recomposições constantes. As narrativas transitam em um território ambíguo entre realidade e ficção, aproximando o leitor de experiências que, embora literárias, carregam o peso de um cotidiano reconhecível.
Fotos: Daniel Cerqueira
