Solo de Rô Colares passa por Salvador e pela Aldeia Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, com apresentações e vivências sobre ancestralidade e identidade indígena.
A retomada da identidade indígena e a relação entre corpo, território e ancestralidade conduzem ‘Quando a Folha Dança’, espetáculo da artista paraense Rô Colares que passa pela Bahia entre 14 e 18 de outubro. A quarta temporada da obra inclui atividades em Salvador e na Aldeia Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, no extremo sul do estado.
Em Salvador, a programação começou com vivências para estudantes da disciplina Dança e Saberes Indígenas, da Licenciatura em Dança da Universidade Federal da Bahia. Nesta quinta-feira, 15 de outubro, às 19h, o Teatro do Movimento, na Escola de Dança da UFBA, recebe uma apresentação aberta ao público. A noite também terá o intercâmbio artístico com Imoguatá, do artista Joseh Jara, seguido de Quando a Folha Dança e uma roda de conversa com os realizadores.
A temporada segue no dia 18 para a Aldeia Coroa Vermelha. No Comércio Indígena Pataxó, uma vivência aberta à comunidade acontece às 16h. Às 19h, a programação reúne a apresentação de um grupo local e o solo de Rô Colares, com conversa entre artistas ao final.
Mulher indígena Arapiun, pesquisadora e doutora em Artes pela Universidade Federal do Pará, Rô Colares também assina a direção do espetáculo, ao lado de Mateus Moura. Com 50 minutos de duração, a obra parte da história de Ana dos Anjos, avó da artista, e de seu território de origem, na região do Baixo Tapajós, no Pará. A cena acompanha a relação entre memória, cura, identidade e a trajetória de mulheres curadoras ao longo de mais de cem anos.
A escolha da Bahia para iniciar a circulação tem um significado particular para a artista. “Para mim, é muito importante o contato com esse primeiro território e esses primeiros povos, povos de primeiro contato”, afirma Rô. Ela relaciona a passagem pelo estado à possibilidade de imaginar outras formas de pertencimento e de retomada simbólica dos territórios indígenas.
Depois da Bahia, o espetáculo segue para Rondônia, com atividades em Porto Velho e na Aldeia Central do povo Karitiana, e para o Ceará, onde passa pelos territórios indígenas Jenipapo Canindé, em Fortaleza, e Tremembé da Barra do Mandaú, em Itapipoca. Nas três temporadas anteriores, a obra realizou dez apresentações nos estados do Pará, Piauí e Rio de Janeiro.
A circulação é realizada por meio do Programa Funarte de Difusão Nacional 2025, Circuito Klauss Vianna de Dança, com apoio do Tekó Coletivo de Artivismo Indígena, da Escola de Dança da UFBA e da Associação de Comerciantes do Parque Indígena Pataxó da Aldeia Coroa Vermelha.
Foto: divulgação
