“Cabeça Quente” leva Oyá para a dança em Salvador

Espetáculo de Marcos Ferreira e Ruan Wills estreia nesta quinta-feira, no Espaço Xisto Bahia, com sessões gratuitas.

O corpo entra em cena preparado para o confronto. Em Cabeça Quente, os movimentos passam pela ginga, pelo sapateado, pela força da búfala e pelo vento de Oyá para falar de raiva, masculinidade e sobrevivência. A nova criação de Marcos Ferreira e Ruan Wills estreia nesta quinta-feira, 1º de outubro, no Espaço Xisto Bahia, em Salvador.

A dupla coloca no centro da pesquisa experiências que atravessam seus próprios corpos como homens negros, gays, candomblecistas e periféricos. A raiva aparece como uma resposta à violência e, ao mesmo tempo, como possibilidade de perceber, reagir e mudar. A questão não é controlar essa força, mas entender o que ela pode produzir.

A coreografia parte do Daró de Oyá e cruza referências de funk, frevo, maracatu, samba, arrocha, pagodão baiano e capoeira. No palco, os corpos se encontram, se enfrentam e mudam de direção. Em determinado momento, assumem a imagem da búfala, antes de transformar essa força em vento.

O eruexim, objeto associado a Oyá, também atravessa a criação. Ele deixa de ser apenas elemento cênico e se transforma em gesto, movimento e força corporal. A partir dessas imagens, o espetáculo chega a outra questão: que masculinidades esses corpos aprenderam a reproduzir e quais ainda podem inventar?

É nesse ponto que a obra se aproxima do trabalho de Mateus Aleluia. O trecho de O Sagrado Masculino utilizado na montagem afirma que “o sagrado masculino é gestado e parido pelo sagrado feminino”. A partir da frase, Marcos e Ruan voltam o olhar para mães, avós, tias, irmãs e outras mulheres que participaram de sua formação.

Cabeça Quente dá continuidade à pesquisa iniciada pela dupla em Dembwa, espetáculo que também partia da ancestralidade para pensar formas de existência. Se antes a pergunta estava voltada para quem veio antes, agora Oyá conduz a investigação sobre como seguir adiante sem repetir os mesmos caminhos.

Depois de Salvador, a montagem passa pelo Cine Lauro de Freitas, em 16 de outubro, e pelo Espaço Cultural Alagados, em 22 de outubro. As sessões são gratuitas e algumas apresentações terão bate-papo com o público.

Fotos: Alice Rodrigues

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Criado por Jadson Nascimento

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