Antonia Maria apresenta obra que propõe olhar sistêmico sobre dependência química e o papel da família
A terapeuta Antonia Maria participa da Bienal do Livro da Bahia 2026, em Salvador, levando ao público a reflexão central de seu livro “Famílias Adictas”. Com mais de 30 anos de atuação em saúde mental, a autora defende que a dependência química não pode ser compreendida como um fenômeno isolado, mas como uma dinâmica que atravessa e impacta todo o núcleo familiar, a partir de uma abordagem que integra experiência clínica, escuta humanizada e perspectiva sistêmica.
Assistente social aposentada, Antonia construiu sua trajetória em instituições como a Universidade Federal da Bahia, por meio do Centro de Atenção Psicossocial, além do Centro de Estudos de Álcool e outras Drogas e da Secretaria Municipal de Candeias. Ao longo desse percurso, aprofundou sua pesquisa sobre os vínculos familiares como elementos centrais no processo de tratamento da adicção, observando que o sofrimento se estende para além do indivíduo em uso de substâncias.
Em “Famílias Adictas”, lançado em 2025, a autora revisita décadas de prática clínica para defender que a compreensão sistêmica é essencial para a reconstrução dos laços familiares e para a efetividade do tratamento. A obra já motivou entrevistas e participações em podcasts no Brasil e no exterior, ampliando o debate sobre a interdependência entre indivíduo e família.
“A adicção não é uma falha moral nem um desvio de caráter. É uma condição complexa, que envolve história, vínculos, contexto social e emocional. Quando a família é incluída no processo terapêutico, ampliamos as possibilidades de cuidado e reconstrução”, afirma Antonia.
Durante a Bienal, a autora destaca a importância de discutir saúde mental em espaços culturais, aproximando literatura e cuidado. Para ela, a escrita também funciona como ferramenta de organização de experiências e de ampliação do acesso à informação qualificada sobre um tema ainda cercado por estigmas.
Além da atuação como terapeuta, Antonia Maria é autora do livro de poesias “Sobre Ventos Passados”, lançado em 2022, e integra antologias nacionais. Sua participação na Bienal reafirma o compromisso com uma literatura conectada às questões sociais e aos desafios enfrentados por famílias brasileiras.
Foto: divulgação
