O artista brasileiro Yannick Hara apresentou seu Rap do Cinema Novo em Joanesburgo, na África do Sul, levando uma proposta estética e política que dialoga com o cinema brasileiro e com experiências diaspóricas negras. A circulação internacional do trabalho aconteceu por meio do Fundo Cicla e da plataforma curatorial Flotar, conectando o rap produzido no Brasil a públicos do continente africano.
Inspirado no filme Terra em Transe, de Glauber Rocha, Yannick Hara constrói uma linguagem própria no rap político, com letras diretas, instrumentais densos e um flow que rompe com padrões mais comerciais da cena. Sua obra estabelece pontes entre música, cinema e crítica social, aproximando narrativas brasileiras de debates históricos e contemporâneos vividos também fora do país.
Em Joanesburgo, o artista participou do Global Creative Summit, evento que reuniu agentes de diferentes áreas culturais da África do Sul, e realizou apresentação no CSFI Orchestra, espaço reconhecido pela atuação de produtores culturais locais. No palco, Yannick apresentou faixas dos projetos Terra em Transe Vol. 1 Brasilis e Vol. 2 Politiki, criando uma troca direta com o público sul-africano, que respondeu à performance acompanhando versos em português.
“Levar esse trabalho para a África do Sul é entender que a nossa história não começa e nem termina no Brasil. O rap que eu faço, o rap do cinema novo inspirado no filme Terra em Transe (1967) do cineasta Glauber Rocha, fala de imagem, de poder e de conflito, e isso também atravessa outros territórios. Cantar em Joanesburgo é reafirmar essa conexão”, afirma Yannick Hara
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