‘Novos Caminhos’ ocupa Casa da Música com mostra coletiva

 Exposição reúne artistas da residência ARLA e apresenta pesquisas em Salvador

A exposição “Novos Caminhos – Desvios Férteis” ocupa o Centro Cultural Casa da Música, no Alto do Abaeté – Itapuã, em Salvador, reunindo obras desenvolvidas por artistas participantes da residência artística promovida pela ARLA (Artistas Latinoamericanes). Com visitação gratuita, a mostra marca o encerramento de um processo formativo iniciado em janeiro e apresenta ao público trabalhos de Cassandra Barteló, Christian Pêpe, Hanna Gomes, Katarine Maria, Lia Bahls, Nilana Passos e Samara Said.

Realizada pela ARLA, a residência foi voltada ao fomento de artistas independentes em início de carreira que vivem e produzem na capital baiana. Ao longo de três meses, o projeto articulou encontros, estudos e acompanhamento de processos criativos, criando um ambiente de troca e desenvolvimento coletivo.

As obras expostas são resultado direto dessas investigações e se organizam a partir de diferentes linguagens e abordagens. Temas como memória, identidade e território atravessam os trabalhos, revelando percursos individuais que se constroem em diálogo com experiências pessoais e contextos sociais mais amplos.

O projeto também se consolidou a partir de parcerias com instituições culturais da cidade, como o Museu de Arte Moderna da Bahia, o Museu de Arte Contemporânea da Bahia e a Casa das Histórias de Salvador, que receberam atividades formativas ao longo da residência. A curadoria foi realizada de forma coletiva pelo núcleo da ARLA, com participação de Janayna Araujo, Thaís Cruz, Monique Burigo, Bárbara Serafim e Andressa Moreira.

Confira agora a entrevista completa com as curadoras Janayna Araújo e Thaís Cruz e com a artista Katarine Maria.

Como foi o processo de curadoria até a definição das artistas participantes?

“As artistas são residentes do projeto. Demos início às atividades em diferentes espaços culturais de Salvador, com apoio do Museu de Arte Moderna da Bahia, do Museu de Arte Contemporânea da Bahia e da Casa das Histórias de Salvador. O processo de curadoria foi coletivo, conduzido pela ARLA. Além de mim, participaram Janayna Araujo, Monique Burigo, Bárbara Serafim e Andressa Moreira. Trabalhar em conjunto é sempre desafiador, mas também enriqueceu muito a minha perspectiva como artista visual. Esta foi minha primeira experiência em curadoria e estou muito contente e realizada.” Thaís Cruz

Como foi chegar ao momento final da exposição após todas as etapas do projeto?

“Quando cheguei aqui, a gente tinha acabado a montagem, bem em cima da hora, ainda naquela energia meio caótica. Mas isso vai mudando. Agora conseguimos respirar e simplesmente ficar felizes. Participei da curadoria e da expografia, e foi um processo intenso, com muitas mudanças até o último momento. Ver como tudo se encaixou e como todo mundo colaborou, inclusive as artistas entre si, é muito gratificante. Além do resultado final, é importante ver também as relações construídas ao longo do processo. Senti que essa era a equipe perfeita para realizar esse projeto.” Janayna Araujo

Qual a importância de criar um espaço como esse para artistas independentes?

A razão de existir do projeto é responder a uma ausência que a gente sentiu. Não se trata de preencher, mas de criar possibilidades. Muitas coisas tivemos que aprender e construir sozinhas ao longo da nossa trajetória. Então pensamos o projeto como uma forma de oferecer aquilo que sentimos falta, especialmente em Salvador, como espaços de formação, oficinas e acesso a editais. Trabalhamos com portfólio, curadoria, expografia e autogestão para artistas. Tudo parte de experiências reais. Talvez por isso o projeto tenha tanta força, porque nasce de uma necessidade concreta.” Janayna Araujo

Como surgiu a ARLA e qual é o foco do coletivo?

“A ARLA surgiu de um projeto que iniciei com minha colega Sofia. Depois abrimos chamadas para outras pessoas participarem do coletivo e, com o tempo, fomos ampliando o grupo e as ações. Seguimos desenvolvendo projetos e experimentando formatos, sempre com a mesma pergunta: como pensar a presença de artistas latino-americanas, mulheres e pessoas não binárias na história da arte? Nos interessa entender essas lacunas e tensioná-las a partir do nosso trabalho.” Janayna Araujo

Como foi sua experiência dentro da residência artística?

“Participei da residência desde janeiro. Passamos por um processo de construção coletiva, estudo e, depois, produção. Foi muito especial estar com artistas de diferentes experiências. O projeto valorizou essa diversidade, e isso contribuiu muito para o meu trabalho. Houve um apoio mútuo muito forte, tanto entre as artistas quanto das mentoras, o que fez toda a diferença.” Katarine Maria

Você pode falar sobre a sua obra apresentada na exposição?

“Minha obra se chama “Oração para minha avó”. Ela parte de um desejo antigo de trabalhar com a imagem da minha avó em grande escala. Eu a vejo como um ser de luz, uma entidade próxima, que me protege. A obra também dialoga com a minha ancestralidade indígena, que descobri recentemente. Trabalhei com camadas de tecido, criando sobreposições que refletem as camadas da nossa própria história. Também utilizei uma esteira, que é um elemento de reverência e memória, presente em diferentes tradições.” Katarine Maria

A obra também incorpora elementos sensoriais. Como isso aparece na instalação?

“É uma obra muito sensorial. O público pode sentir os cheiros, tocar os materiais, perceber as texturas. No altar, utilizo ervas que compõem o rapé, além de elementos simbólicos ligados à minha avó, como o chifre onde ela guardava a substância. Também recriei uma carta a partir de memórias familiares, utilizando café para envelhecer o papel. Trabalho ainda com a alfazema, repetindo um gesto que minha avó fazia com tecidos. Esse processo se torna um ritual, uma forma de manter viva essa memória através da repetição e da presença sensorial.” Katarine Maria

A exposição fica em cartaz até o dia 1 de abril, com visitação de segunda a sábado, das 9h às 17h.

Fotos: Jadson Nascimento

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Criado por Jadson Nascimento

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